Região tem 5% de área livre para ocupação
Dados da Emplasa foram apresentados no Ficon pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido
SANDRO THADEU
DA REDAÇÃO
A Baixada Santista possui 12,2 mil hectares (ha) de áreas livres (também chamadas de vazio urbano de interesse) adequadas ou adequadas com restrições para o crescimento ordenado das cidades, o que representa cerca de 5,08% da região.
A maior parte dos terrenos está concentrada em Itanhaém (4,9 mil ha), Praia Grande (2,1 mil ha) e Peruíbe (1,8 mil ha).
Os dados são da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) e foram divulgados ontem à tarde, durante a segunda parte do Ficon, pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido.
O trabalho será entregue às prefeituras para orientá-las no planejamento de ocupação desses terrenos e também poderá servir de suporte para a iniciativa privada investir nesses locais.
Esses espaços valiosos são áreas essenciais para garantir o crescimento regional de forma ordenada, aproveitando a infraestrutura urbana existente.
"Os números demonstram a possibilidade de haveruma ocupação ordenada e planejada utilizando esses espaços da área urbana, que já possuem serviços públicos", explica.
A maior parte desses vazios urbanos de interesse nas cidades de São Vicente, Santos e Praia Grande está localizada no entorno do trajeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o que facilitaria a construção de edifícios nesses espaços e a locomoção dos habitantes.
"Vale destacar que não são áreas muito grandes, mas podem ser muito bem ocupadas. O processo de ordenamento do território urbano não precisa ser necessariamente em grandes espaços, porque se necessita de um grande investimento de infraestrutura", detalha.
INVESTIMENTO EM DRENAGEM
Aparecido ressaltou a grande quantidade de moradores da Baixada Santista que vivem em habitações irregulares, como favelas: 189.735.
Cubatão e Guarujá têm, respectivamente, 46,4% e 36,7% dapopulaçãovivendonesses locais. Na primeira cidade citada, a maior parte está concentrada nos bairros-cota, distribuídos aolongo da Serra do Mar.
Durante a explanação, o secretário chamou a atenção para o aumento do crescimento desordenado de Bertioga, onde 22,05% (6.138) das pessoas vivem em assentamentos precários. "Precisamos ter um cuidado, pois a cidade está alcançando um índice preocupante", ponderou.
Conforme o estudo da Emplasa, a Baixada Santista apresenta diversidade e complexidade de situações de risco, como inundação, deslizamento e erosão, que exigem tratamento específico por meio de ações integradas entre prefeituras, Estado e União.
Há ocupação expressiva de áreas ambientalmente frágeis em 323 pontos da região, sendo que 80% deles estão em locais com possibilidades de enchentes.
"Por esse motivo, a nossa grande concentração de esforços e de recursos deve ser nos programas que tratam da macrodrenagem da região, principalmente nos municípios centrais, como São Vicente", disse.
Panorama regional |
Município |
Área município (ha *) |
Vazios de interesse área (ha*) |
% vazios de interesse no município
|
Bertioga |
48.859,35 |
1.476,79 |
3,02 |
Cubatão |
14.385,83 |
275,19 |
1,91 |
Guarujá |
14.253,25 |
212,09 |
1,49 |
Itanhaém |
60.022,71 |
4.947,54 |
8,24 |
Mongaguá |
14.183,77 |
453,17 |
3,19 |
Peruíbe |
32.014,92 |
1.847,83 |
5,77 |
Praia Grande |
14.733,15 |
2.109,53 |
14,32 |
Santos |
28.104,51 |
352,01 |
1,25 |
São Vicente |
14.895,47 |
600,70 |
4,03 |
Total |
241.452,96 |
12.274,85 |
5,08 |
Fonte: Emplasa - (*) hectares de áreas livres. Um hectare equivale a 10 mil m²
Áreas de risco |
Município
|
Áreas de inundações |
Áreas de erosões |
Áreas de deslizamentos |
Total por município
|
Bertioga |
18 |
1 |
1 |
20 |
Cubatão |
11 |
0 |
8 |
19 |
Guarujá |
31 |
12 |
15 |
58 |
Itanhaém |
7 |
2 |
2 |
11 |
Mongaguá |
10 |
0 |
3 |
13 |
Peruíbe |
24 |
0 |
1 |
25 |
Praia Grande |
37 |
0 |
0 |
37 |
Santos |
31 |
0 |
10 |
41 |
São Vicente |
90 |
1 |
8 |
99 |
Baixada Santista |
259 |
16 |
48 |
323 |
Fonte: Emplasa
Fiscalização
O estudo da Emplasa constatou o número expressivo de áreas públicas e particulares invadidas, exigindo ações de monitoramento, regularização fundiária e/ou remoção da população. O trabalho chama a atenção para as ocupações em unidades de conservação particularmente concentradas em Cubatão, nas faixas de domínio de rodovias e ferrovias, e nas faixas de domínio de linhas de transmissão, situadas em Cubatão, Guarujá, Santos e São Vicente
Redução do potencial construtivo gera atrito
A redução do potencial construtivo das edificações, uma das propostas da Prefeitura de Santos contidas no Plano Diretor que está sendo apreciado pela Câmara Municipal , provocou polêmica ontem, durante o Ficon.
O assunto foi levantado quando houve uma mesa-redonda para tratar dessa legislação, que diz respeito ao planejamento e ordenamento urbanístico da Cidade.
Apósa explanação dosecretário municipal de Planejamento, Bechara Abdala Pestana Neves, o representante do Grupo Mendes, Leopoldo Arias, se queixou dessa limitação.
Em seguida, a diretora da Vértice, Iná Loureiro Quintas, pediu ao secretário que a Prefeitura mudasse de posição em relação ao tema.
"Ao analisar um projeto de um terreno, se o novo Plano Diretor estivesse em vigor, o potencial construtivo, de venda, cairia 20%. Em alguns casos, isso chega a 30%, o que representa uma queda muito grande", destacou.
RESPOSTA
A resposta aos questionamentos dos empreiteiros da Cidade veio do prefeito João Paulo Papa (PMDB), um dos participantes do último painel do Ficon: Urbanização de áreas alternativas para o crescimento regional.
"(A redução da área construída) Não é uma ideia dissimulada. É uma ideia concreta, clara e do Governo de reduzir esse potencial de forma inteligente, gradual, adequada a infraestrutura de Santos. Não há mistério em relação a isso", destacou.
Antes de terminar a exposição sobre este assunto, explicou que não tem medo de defender publicamente essa posição.
"Não tenho nenhum receio de ser tachado como anti-iniciativa privada. Pelo contrário, estou com a consciência tranquila de que temos obrigações a cumprir. (...) Temos pouco espaço físico e precisamos tratar bem desses locais (como nas áreas Central, Continental e Zona Noroeste) com equilíbrio. Agora é hora de olhar para outros espaços", argumentou.
ÁREA CONTINENTAL
O diretor regional do Sindicato da Habitação (Secovi), Renato Monteiro, afirmou que a Área Continental de Santos é "praticamente a joia da coroa" para o setor construtivo e um local pronto para se ocupar e receber o desenvolvimento.
Bechara afirmou que aquela parte do município possui 29 quilômetros quadrados que poderão ser ocupados.
Fonte: Jornal A Tribuna - 04/05/2011
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