Estado e Senai vão capacitar 11 mil na construção civil
Treinamentos serão realizados ao longo deste ano, com a participação de empresários
RAFAEL MOTTA
DA REDAÇÃO
A julgar pelo que garantem representantes da indústria e do Poder Público, não faltarão vagas em cursos nem investimentos na qualificação de mão de obra voltada à construção civil na Baixada Santista.
Para este ano, é previsto o treinamento de até 11 mil trabalhadores 10 mil pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai, subordinado à Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e 1.000 pelo Programa Estadual de Qualificação Profissional (PEQ).
As iniciativas foram divulgadas ontem de manhã, na primeira parte do Fórum da Indústria da Construção de Santos e Região (Ficon), promovido pelo Sistema A Tribuna de Comunicação e com realização da Una Marketing de Eventos, no Mendes Convention Center, no Gonzaga.
Empresários se mostraram dispostos a ceder espaços para aulas teóricas e práticas dos cursos a serem oferecidos pelo Estado. Ressaltaram, porém, a necessidade de integrar os programas existentes para que se formem operários conforme a exigência do mercado do setor.
"O Brasil está cheio de programas de capacitação, mas é difícil integrá-los. Precisamos de uma nova frente de formação de mão de obra. O momento é este, em que a gente tem recursos para o treinamento de pessoal", disse o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (SindusCon-SP), Sérgio Watanabe.
INVESTIMENTOS
O secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, David Zaia, revelou que, até 2014, o PEQ terá 5 mil vagas: 1.000 este ano, 1.500 em 2012, 1.500 em 2013 e 1.000 no último ano. A pasta investirá R$ 11,5 milhões no programa, na região, neste quadriênio.
As comissões municipais de emprego da região indicarão quantos profissionais deverão ser qualificados por posto, como pedreiros, carpinteiros e marceneiros. Os cursos serão oferecidos a desempregados com idades entre 30 e 59 anos.
Outro plano do Governo Estadual é denominado Via Rápida para o Emprego e será lançado, possivelmente, em junho. Conforme o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paulo Alexandre Barbosa, haverá cursos com duração máxima de três meses, abertos em conjunto com o Sistema S (do qual o Senai faz parte).
"Vamos dialogar com as construtoras e comissões municipais de emprego, e a Petrobras tem que dizer por quais profissionais terá demanda. Vamos priorizar jovens com alta vulnerabilidade social", adiantou Barbosa.
DESAFIOS
O diretor-presidente de A Tribuna, Marcos Clemente Santini, salientou que três segmentos da economia regional se expandem e precisarão de mão de obra preparada no campo da construção civil: o Porto de Santos, a ser ampliado; o Polo Industrial de Cubatão, em crescimento; e o de petróleo e gás, com a exploração da camada de pré-sal da Bacia de Santos.
Este último setor foi destacado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que discursou na abertura do Ficon. Além das 10 mil vagas para formação em construção civil pelo Senai, ele anunciou R$ 20 milhões "em investimentos focados em (cursos para) petróleo egás".
Há dificuldades, porém, para atrair profissionais ao setor. Isso ficou demonstrado numa coleta de opiniões feita pelo Instituto de Pesquisas A
Tribuna (IPAT) com dirigentes de cerca de 20 empresas do setor.
Um problema é que "a população não migra mais do Nordeste"; outro, que "os jovens estão mais capacitados e evitam trabalho na construção civil, considerado pesado e bruto", destacou o coordenador do IPAT, Alcindo Gonçalves.
Considerações
"O Brasil está cheio de programas de capacitação, mas é difícil integrá-los. Precisamos de uma nova frente de formação de mão de obra. O momento é este, em que a gente tem recursos para o treinamento de pessoal"
Sérgio Watanabe, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (SindusCon-SP)
"
A indústria da construção civil gera desenvolvimento social. Temos um diagnóstico pelo qual há vagas gratuitas (em cursos de qualificação), mas falta divulgação para que as famílias que mais precisam se inscrevam"
Márcio Lara, secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos de Santos
"Entre 1990 e 2000, caiu a geração de empregos. Naquele período, não precisamos nos articular: se sobrava emprego numa área, faltava em outra. Agora, precisamos agir juntos para não haver um apagão de mão de obra"
Ricardo Figueiredo Terra, diretor técnico do Senai-São Paulo
"Chegou o momento de definirmos um plano regional com começo, meio e fim. Senão, (a Baixada Santista) vai perder a chance de se consolidar como região atrativa para investimentos e com qualidade de vida"
João Paulo Papa (PMDB), prefeito de Santos
"Falta algo para que o treinamento de mão de obra atinja seu objetivo: ouvir quem vai contratar. Se nós nos juntarmos (empresas e governos), faremos o melhor programa de qualificação que pode existir"
José da Costa Teixeira, diretor da Construtora Macuco
Barcelona, símbolo da revitalização
Não basta planejar a região para a concretização das projeções de crescimento: é preciso criar atividades para depois de o incremento econômico chegar, a fim de que seus efeitos positivos se prolonguem.
É o que se conclui da palestra ministrada no Ficon por Jordi Serra, consultor sênior do Global Barcelona Group, convidado a abordar o tema Revitalização Urbana e Desenvolvimento Econômico de Barcelona a partir da Olimpíada de 1992.
Barcelona é a segunda maior cidade da Espanha, com 1,6 milhão de habitantes. Em 1986, ficou definido que seria sede dos Jogos Olímpicos de 1992. Esse foi o ponto de partida para o crescimento de sua economia nos anos seguintes.
Entre 1987 e 1991, Prefeitura, setor privado e uma empresa de consultoria traçaram um diagnóstico da economia local e, em 1992 (ano da Olimpíada) e 1993, planejaram estratégias de turismo e urbanização.
"Fizemos um Plano Diretor que nos permitiu chegar aos Jogos. Foi uma análise exaustiva que nos reservou muito poucas surpresas", celebrou.
Segundo Serra, no entanto, "a imagem de rigor e austeridade no controle de gastos" com os preparativos para a Olimpíada criou "cumplicidade" com a mídia, silenciou a oposição e levantou a autoestima dos moradores. Cidadãos deixaram de lado o descanso para ajudar, voluntariamente, nas obras.
Com a projeção internacional de Barcelona, a frequência de turistas e o perfil dos viajantes mudaram fortemente.
Em 1990, a cidade tinha 118 hotéis, com 10.300 leitos, e recebia 1,7 milhão de turistas por ano. Em 2008, o número de estabelecimentos saltou para 350, com 32 mil leitos e 7 milhões de visitantes anuais.
E mais: enquanto, em 1990, 207 navios atracaram com 115.137 passageiros, 2008 teve 1.500 embarcações, com quase 2,1 milhões de viajantes. No aeroporto local, o total de pessoas subiu de 9 milhões para 30,2 milhões.
EM ANDAMENTO
Durante a fase de crescimen- to, políticos, empresários e o setor universitário se reuniram, em 1997, no Pacto para Reindustrialização da Região Metropolitana de Barcelona.
Jordi Serra disse que, dessa união, surgiu o Projeto 22@ Barcelona: trata-se do desenvolvimento da economia com base no conhecimento tecnológico.
Esse polo visa ao planejamento da cidade, com infraestrutura urbana de última geração (água, gás, telefonia), conservação do patrimônio histórico, transformação de universidades em centros de excelência, utilização de meios de transporte não poluentes e criação de "espaços públicos de qualidade" (zonasverdes) .(RM)
Fonte: Jornal A Tribuna 04/05/2011
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