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Baixada perde poder de consumo

Para cada R$ 100,00 gastos no País, somente R$ 1,20 sai da região, que contribui com apenas 4,09% do que o Estado desembolsa

DA REDAÇÃO 

O efeito migratório da população dos grandes centros econômicos para o interior já tem reflexos na Baixada Santista. De 2010 para 2011, 1,6 milhão de habitantes da região perderam poder de compra em praticamente todos os municípios, de acordo com levantamento feito pela consultoria paulista IPC Maps, que indicou a potencialidade de consumo nacional, com detalhamento para cada um dos 5.565 municípios.

A participação da região no potencial de consumo do País caiu em relação ao ano passado. O estudo mostra que de cada R$ 100,00 gastos nacionalmente (o chamado share de consumo), apenas R$ 1,20 sai da região. Ano passado, essa contribuição foi de R$1,21.

No âmbito estadual, a participação da região metropolitana da Baixada também é reduzida, com apenas 4,09%. Ou seja, dos R$ 29,34 gastos pelo Estado em relação aos R$ 100,00 desembolsados pelo País, somente R$ 1,20 provêm da região.

O índice é bastante inferior ao que prevê o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011, que registra as somas das riquezas produzidas no País, da ordem de 4,1%.

O IPC Maps ainda revela que o potencial de consumo absoluto da região crescerá 10,9% este ano, de R$ 26,6 bilhões para R$ 29,5 bilhões. A evolução, porém, não representa fielmente o poder de compra da população.

"São duas análises distintas: uma relacionada ao aumento do mercado consumidor em números absolutos. A outra, que é o IPC Maps, mostra se a força do mercado de consumo avaliado teve aumento ou diminuição de participação em relação ao total do País", explica Marcos Pazzini, diretor e responsável pelo estudo IPC Maps.

 

CUSTO DE VIDA

Pazzini aponta que o alto custo de vida em Santos tem sido decisivo para a queda do IPC da região, caracterizado pelo efeito migratório para municípios vizinhos. Em 2010, 42,7% dos domicílios na Cidade pertenciam às classes B1 e B2, com renda familiar mensal de R$ 4.900,00 e R$ 2.750,00, respectivamente. Neste ano, 47,5% das moradias estão com essas duas classes.

O mesmo crescimento não foi observado na Região Metropolitana, que registrou queda de 3% nos domicílios das mesmas classes B1 e B2, de 36,7%, em 2010, para 39,7% este ano. 

 

SEGMENTOS

Entre os principais pontos de despesa na Baixada Santista, a pesquisa levantou que dos R$ 29,5 bilhões de potencial de consumo, os itens básicos vão liderar os gastos, como manutenção do lar.

Esse item incorpora custos com aluguéis, impostos e taxas, luz-água-gás (26,4%), alimentos e bebidas (17,1%), higiene/cosméticos e saúde (8%), transportes/veículos (7,5%), vestuário e calçados (4,7%), seguidos de recreação e viagens (3,4%), educação(2,4%), eletrônicos-equipamentos (2,2%), móveis e artigos do lar (1,8%) e fumo (0,5%). 

 

Posição nacional (IPC Maps)
>> Entre parênteses, a colocação estadual
Cidades
2011
2010 
Santos
29 (10)
28 (9)
São Vicente
58 (18)
71 (21)
Praia Grande
74 (22)
93 (29)
Guarujá
93 (29)
74 (23)
Cubatão
190 (60)
185 (58)
Itanhaém
268 (86)
242 (79)
Peruíbe
356 (106)
363 (86)
Bertioga  
438 (123)
440 (124)
Mongaguá
457 (132)
458 (128)

 

IPC Maps (share de consumo)
>> Valores por município da Baixada para cada R$ 100,00 gastos no País
Cidade
2011
2010
Cidade
2011
2010
Santos
0,41
0,45
Cubatão
0,07
0,07
São Vicente
0,21
0,19
Itanhaém
0,05
0,03
Praia Grande
0,18
0,15
Peruíbe
0,03
0,03
Guarujá
0,15
0,18
Bertioga
0,03
0,02
Mongaguá
0,02
0,02

 

Consumo
>> Na Baixada Santista (%)
Classe
2011
2010
A1
0,7
0,6
A2
5,1
5,5
B1
13,8
12,6
B2
25,9
23,9
C1
26,9
26,3
C2
16,3
17,6
D
10,7
13,0
E
0,5
0,6

 

Classe média avança na região

O movimento consumista da Baixada, com suas 517.615 residências, está concentrado no poder de consumo da classe média (B2, C1 e C2), que será responsável por 48,6% do total gasto na região, contra os 48,4% das classes A1, A2 e B1, representantes do topo da pirâmide social. No ano anterior, esse equilíbrio era menor (47,3% da classe média contra 49,2% da classe alta).

Segundo o estudo do IPC Maps, a classe média representa 69,1% das moradias da Baixada. Em 2010, essa participação era de 67,9% do total de domicíliosdaregião.

O crescimento de 1,2% tem a ver com a migração dos grupos oriundos dos grupos D e E para a classe C. Em 2010, essa camada era responsável por 13,6% dos domicílios. Esse ano, a participação caiu para 11,2%.

"Via de regra, em um segundo estágio migratório, os domicílios da classe C migram para a B, que passa a ser a principal responsável pelo potencial de consumo, tanto em Santos quanto na Baixada", explica Pazzini.

REGIONAL

O Sudeste mantém a liderança nacional, apesar de ter sido a única a ter perda de participação no consumo entre 2010 e 2011. A região projeta uma participação de 52,2% em 2011, ao passo que registrou 52,7% em 2010.

Em todas as outras regiões verifica-se um leve crescimento de participação. As do Sul e Centro-Oeste foram as que mais aumentaram suas presenças - o Sul fica com 16,6% (contra 16,5% em 2010) e o Centro-Oeste marca 7,9% ante os 7,7% apresentados no ano passado.

A região Norte deve participar com 5,4% (em 2010 marcava 5,3%). No ranking do IPC Maps, a região Nordeste continua na 2ª posição, a frente da região Sul e atrás do Sudeste, tradicionalmente a primeira colocada no ranking.

 

Pré-sal não tem efeito na prática

A exploração da camada do pré-sal na Bacia de Santos ainda não rendeu dividendos para a Baixada Santista. A comprovação está retratada no estudo do IPC Maps 2011. Das nove cidades da região, apenas Praia Grande, SãoVicente, Itanhaém e Bertioga avançaram seus IPCs (Índice de Potencial de Consumo) de 2010 para 2011.

"O resultado objetivo só acontecerá quando o pré-sal estiver operando. O que ocorreu até o momento foi uma grande ação de marketing. Todos sabem que o pré-sal já está vendido. É difícil encontrar alguém que não tenha ouvido falar disso. Mas, ele não está funcionando ainda para apresentar um resultado efetivo na região. É preciso que a exploração esteja a todo o vapor, com mais empresas e oportunidades", comenta Pazzini.

A maior queda foi registrada justamente no município de maior representatividade na região: Santos. Para cada R$ 100,00 gastos no País em 2011, a Cidade desembolsa R$ 0,41 (quarenta e um centavos) contra R$ 0,45 de 2010.

O município, que por três anos foi o nono colocado no Estado em Índice de Potencial de Consumo, foi ultrapassado por Sorocaba, no Interior, e caiu para a décima posição nas projeções para 2011. No País, passou do 28º para o 29º lugar.

Guarujá também decresceu economicamente. Caiu seu poder de consumo de R$ 0,18 para R$ 0,15 e passou da 74ª posição nacional (23º no Estado) para a 93ª (29ª no Estado).

"O fato de a Região Metropolitana da Baixada Santista não ter aumentado seu padrão de consumo foi principalmente por conta do desempenho de Santos. A interiorização do consumo, que tem acontecido em todo o País, também ocorre na região. Cada vez mais a população tem procurado uma moradia mais barata e pode ser que morar na Cidade seja um complicador nesse sentido.Pelos altos custos, o Município está perdendo participação no consumo", afirma o responsável pelo estudo.

OUTRAS CIDADES

Três municípios mantiveram-se estáveis em relação ao ano passado: Cubatão, com R$ 0,07 (sete centavos), Peruíbe R$ 0,03 (três centavos) e Mongaguá, R$ 0,02 (dois centavos).

De acordo com o IPC Maps, São Vicente, Praia Grande, Itanhaém e Bertioga conseguiram expandir seu consumo. São Vicente subiu de R$ 0,19 para R$ 0,21. Praia Grande, de R$0,15 para R$0,18. Itanhaém de R$0,03 para R$0,05 e Bertioga de R$ 0,02 para R$ 0,03.

 

Fonte: Jornal A Tribuna - 23/05/2011

 

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