Negócios devem atrair milhares de trabalhadores
Expectativa é que Valongo receba restaurantes, bares e hotéis
LUCAS KREMPEL
DA REDAÇÃO
"Não é uma transformação imediata. É algo que leva de oito a dez anos. O mais importante é que a transformação está em andamento". A frase do empresário Marcílio Macedo de Andrade, proprietário da Estação Santos, casa de eventos localizada próxima ao terreno da Petrobras, mostra como a mudança é encarada pelos investidores.
Instalado há um ano e dois meses na Rua Tuiuti, 56, Andrade confia que o Valongo ganhará uma nova cara com a chegada da Petrobras e de projetos importantes como o Museu Pelé e a restauração dos armazéns do 1 ao 8.
Além dos projetos já citados, a Reportagem apurou que o bairro deve receber hotéis de grandes redes, restaurantes com as mais variadas cozinhas e serviços gerais em centros comerciais, além de consultórios médicos.
"A proposta do Porto Valongo é muito boa, lembra as mudanças feitas em cidades portuárias, que transformaram áreas degradadas em atrações turísticas",afirma.
O gerente-geral da Unidade de Exploração e Produção da Bacia de Santos (UN-BS), José Luiz Marcusso, cita a transformação que ocorreu no Rio de Janeiro, na década de 1970, com a instalação da sede da Petrobrasna Avenida República do Chile como exemplo para o Valongo.
"Na época só havia o Morro Santo Antônio, que precisou ser demolido para a construção da sede da empresa. Hoje, no entanto, o local possui um conjunto de construções que caracterizam o lugar como um dos mais modernos da cidade", diz o executivo.
Quanto ao Valongo, Marcusso acredita que a grande mudança começa em 2013, quando será concluída a primeira torre da companhia. "A construção em si é importante, mas o mais importante é o que vai acontecer de 2013 em diante".
Outra empresa que já está investindo na área é a Cyrela. NaAvenidaGetúlioVargas,esquina com a Rua Visconde do Embaré, a construtora está levantando um prédio comercial, que deve ser ocupado futuramente por empresas do ramo de petróleo e gás.
O Wave Offices, bem próximo à Rodoviária, tem previsão de inauguração para dezembro de 2013. No momento, a obra está em fase de fundação.
O diretor da Real Consultoria Imobiliária, Lourenço Lopes, revela que 100% das salas foram vendidas no lançamento boa parte para investidores, que pretendem revender ou locar. "Em um ano essas salas já foram valorizadas em 20% a 25%".
Para Lopes, 80% dos investidores acreditam na revenda dos espaços para fornecedores da Petrobras. "É uma aposta baseada nas pesquisas que realizamos no Rio de Janeiro e em Vitória, duas cidades que sentiram o mesmo impacto".
Empregos
"Serão 2.200 funcionários após a conclusão da primeira fase da obra, podendo chegar a 6 mil pessoas só da Petrobras em 2017. Assim, com esse cenário, a gente imagina que mais de 20 mil pessoas estejam trabalhando naquela região nos próximos anos"
José Luiz Marcusso, gerente-geral da Unidade de Exploração e Produção da Bacia de Santos (UN-BS)
Vila Nova precisa receber melhorias
Se o Valongo tem tudo para virar uma das áreas mais valorizadas e atraentes de Santos, o mesmo não se pode dizer da Vila Nova. No início da Avenida Conselheiro Nébias, próximo ao Mercado Municipal, onde funciona a atual sede da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Santos, o cenário é completamente diferente do que está previsto para o Valongo.
A via é ocupada por moradores de rua, lixo e entulho são facilmente encontrados nas proximidades e a região ainda carece de restaurantes, principalmente à noite.
O secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos, Márcio Lara, explica que as universidades da região estão com novas iniciativas para a área, que faz parte do programa Alegra Centro e deve ser modificada, mas sem perder algumas características.
"Vila Nova e Vila Mathias contam com várias universidades, a movimentação pós-aula é muito forte, inclusive no prédio da Petrobras, que funciona na Strong/FGV", diz Lara.
Os cortiços, que predominam nas ruas no entorno da sede provisória da Petrobras, devem passar por uma renovação urbana, mas sem a exclusão desses moradores do local. "A Prefeitura quer a fixação dessas pessoas nessas áreas e promover a inclusão social das famílias".
No local não existe nenhum projeto para construção de prédios comerciais para receber empresas da cadeia de petróleo e gás na região, que devem se concentrar no Valongo.
Em frente ao prédio atual da Petrobras, duas agências bancárias e um estacionamento servem os trabalhadores e alunos da Strong/FGV. Na Rua Sete de Setembro, farmácias, docerias, lojas de material para construção e bares ocupam o espaço. Restaurantes, apenas na Rua Bittencourt.
Na Rua Benedito Pinheiro, que possui outro prédio da estatal, a situação é diferente. Estreita e sem movimento algum, a área é considerada de risco por uma funcionária da companhia.
"Quando anoitece fica mais complicado. As ruas ficam cheias de mendigos e temos que ter um cuidado redobrado", afirma.
Fonte: Jornal A Tribuna- 18/08/2011
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