Santos cresceu só 0,3% em dez anos
Na última década, o maior índice na região foi de Bertioga, de 58,6%, valor bem acima da média brasileira, que ficou em 12.3%
DA REDAÇÃO
Santos não acompanhou o crescimento populacional verificado na região nos últimos dez anos. Dos nove municípios da Baixada Santista, foi o único a manter praticamente o mesmo número de moradores entre 2000 e 2010. Durante o período, a população local passou de 417.983 para 419.400 ou seja, aumentou em 1.417 pessoas. Um crescimento de apenas 0,3%.
Os dados constam da sinopse do Censo 2010, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São os números definitivos da contagem realizada ano passado pelo órgão, em todo o País, e mostram a realidade quantitativa dos municípios.
Em termos gerais, a Baixada Santista cresceu de 1.476.820 para 1.664.136 pessoas, durante a década pesquisada pelo IBGE, o que equivale a um aumento de 12,6%.
A elevação populacional na região acompanha a do Brasil, que passou de 169.799.170 indivíduos, em 2000, para 190.755.799 crescimento de 12,3%.
Se Santos se manteve estagnada durante o período de abrangência do estudo, algumas cidades da região sofreram o processo inverso. É o caso de Bertioga, que em 2000 contava com população de 30.039 pessoas. No ano passado, o número apontava 47.645 munícipes. Um impressionante crescimento de 58,6%. Como comparação, é como se o município recebesse, em uma década, todos os moradores de Cordeirópolis (17.591 indivíduos), interior de São Paulo.
A franca expansão populacional também foi verificada em Praia Grande e Mongaguá. A primeira passou de 193.582 munícipes para 262.051, durante o período. A segunda, de 35.098 para 46.293 pessoas.
À exceção de Santos, todas as demais cidades da região tiveram elevação populacional maior que 9% na década averiguada (ver quadro).
A década na região |
Cidade |
2000 |
2010 |
Variação |
Bertioga |
30.039 |
47.645 |
58,6% |
Cubatão |
108.309 |
118.720 |
9,6% |
Guarujá |
264.812 |
290.752 |
9,7% |
Itanhaém |
71.995 |
87.057 |
20,9% |
Mongaguá |
35.098 |
46.293 |
31,8% |
Peruíbe |
51.451 |
59.773 |
16,1% |
Praia Grande |
193.582 |
262.051 |
35,3% |
Santos |
417.983 |
419.400 |
0,3% |
São Vicente |
303.551 |
332.445 |
9,5% |
Fonte: IBGE
DENSIDADE
No quesito densidade demográfica, São Vicente foi a campeã, com índice de 2.323,28. Densidade demográfica é a relação do número de pessoas residentes em um determinado lugar e sua área. O valor é obtido dividindo a população absoluta pela área do lugar em que vive.
Na sequência, entre as cidades da região, vem Guarujá (2.034,91), seguida de Praia Grande (1.776,09), Santos (1.492,23), Cubatão (833,81), Peruíbe (191,95), Itanhaém (145,2) e, por fim, Bertioga (97,2).
Um ponto chama a atenção: a quase totalidade da população santista encontrase na área insular do município (419.086 do total de 419.400 moradores). Os demais, 314 munícipes, residem na Área Continental. A cidade inteira possui 281,1 quilômetros quadrados.
Como o índice é calculado sem fazer distinção entre as localidades, a densidade demográfica de Santos seria considerada muito maior se fossem levado em conta somente os habitantes que estão na parte da ilha, que possui apenas 39,4 quilômetros quadrados. Ou seja, saltaria para 10.636,7.
Outro fato curioso refere-se a Bertioga. A cidade apresentou o menor índice entre os nove municípios, mesmo com o aumento de 58,6% da população. Há dez anos, portanto, a densidade demográfica era mais irrisória. Com uma área de 490 quilômetros quadrados, segundo maior território da região (perde para Itanhaém), o índice no ano de 2000 ficava em 61,3.
Crescimento populacional |
|
2000 |
2010 |
Variação |
Brasil |
169.799.170 |
190.755.799 |
12,3% |
Baixada Santista |
1.476.820 |
1.664.136 |
12,6% |
Fonte: IBGE
Falta de espaço leva à estagnação
A equação é simplória: com a saturação no território urbano, ocorre a falta de espaço. Essa demanda influi no custo das moradias. Aos que não podem arcar com os valores praticados no mercado, resta migrar para outras localidades.
É assim que o urbanista José Marques Carriço exemplifica o fenômeno do não crescimento populacional em Santos na última década. "Se não há políticas urbanas decentes que visem fixar as pessoas na Cidade, é natural que elas procurem alternativas em outro lugar".
O especialista explica que as cidades periféricas das regiões metropolitanas, dentro desse contexto econômico e social, tendem a absorver esses migrantes. "Quando os principais centros têm a população reduzida ou estagnada, as localidades mais próximas costumam abrigar os que optaram por deixá-los".
Pelo menos em parte isso pode explicar o aumento populacional registrado em Bertioga, Praia Grande e Mongaguá.
Índice é o menor da história
DA REDAÇÃO E DA AGÊNCIA ESTADO
A sinopse do IBGE mostra que o crescimento da população no Brasil foi maior do que os números prévios apontavam. Em novembro, os índices preliminares do estudo demonstravam que o País contava com 190.732.694 pessoas. O resultado definitivo aponta que há, na realidade, mais 23.105 indivíduos o que resulta em um total de 190.755.799 brasileiros.
Mesmo assim, o Brasil atingiu, no período pesquisado, o menor crescimento populacional da sua história: 1,17% em média por ano, contra 1,64% na década anterior.
O Censo 2010 aponta crescimento recorde da população das regiões Norte e Centro-Oeste. Segundo o instituto, os 10 Estados que mais cresceram de 2000 a 2010 estão nas duas regiões, que ainda têm, porém, a menor proporção de moradores do País.
A população rural brasileira diminuiu em 2 milhões de pessoas no período. O Sudeste foi a região que mais perdeu gente no campo, passando de 6,9 milhões para 5,7 milhões. O Sul perdeu 600 mil pessoas, chegando a 4,1 milhões. O Nordeste perdeu 500 mil; no entanto, continuou com quase metade da população rural do Brasil, ou seja, 14,3 milhões de pessoas. Na contramão dessa tendência, que se acentua no Brasil inteiro desde os anos 70, Norte e Centro-Oeste aumentaram suas populações rurais, respectivamente, em 313.606 e 31.379 habitantes.
Em relação a 2000, diminuiu a representatividade dos grupos etários para todas as faixas com idade até 25 anos, ao passo que os demais grupos aumentaram suas participações na última década.
PICO
O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, disse que o Brasil deverá chegar ao máximo de seu número de habitantes entre 2040 e 2060. A partir daí, passará a ter uma queda em termos absolutos, se mantido o padrão demográfico atual. Segundo ele, o pico populacional ficaria em torno de 250 milhões de pessoas cerca de 60 milhões a mais do que o apurado no Censo 2010.
Fonte: Jornal A Tribuna - 30/04/2011
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